Por: Amanda Barboza
Muito mais do que uma comemoração pela independência do Brasil
e da Bahia. O cortejo do Dois de Julho deste ano contou com um quê
especial: o gosto amargo de uma greve dos professores da rede estadual
de ensino, que já passa dos 80 dias. O governador Jaques Wagner
participou da cerimônia em homenagem ao general Pedro Labatut, que
liderou as tropas na disputa pela independência, ao lado do
vice-governador Otto Alencar e da presidente do Instituto Histórico e
Geográfico da Bahia, Consuelo Ponde. Em seguida, fez o cortejo ao lado
da esposa Fátima Mendonça, de companheiros de partido e aliados, ao som
de inúmeras vaias.
Em conversa rápida com o Política Livre
durante o cortejo, o governador afirmou que é natural que protestos
aconteçam em ano eleitoral, mas que isso nada interfere no próximo
pleito. “Isso é normal na vida pública e já era previsto. Eles [os
professores] estão num momento de reivindicação. Na hora da eleição, o
povo vai saber diferenciar o que é melhor para a cidade”, afirmou o
governador, que apoia a candidatura do deputado federal Nelson Pelegrino
(PT).
Sobre o desgaste político que está enfrentando por conta do impasse
diante da greve, o governador preferiu minimizar: disse que não há
desgaste e lembrou que a presidente Dilma Rousseff (PT) conta com 82% de
aprovação, mesmo com uma greve dos professores de universidades
federais. Mesmo com a blindagem feita para impedir que os manifestantes
chegassem perto do governador, não foi possível abafar os protestos da
população que, das sacadas, dispararam palavras como “traidor”, o que
deixou Wagner visivelmente constrangido diante do público.