10 de dezembro de 2012

Carta aberta ao Prefeito de Itaberaba Bahia

Por Rogério Lima e Alex de Oliveira – missivista e narrador, respectivamente.
Excelentíssimo Senhor Prefeito – Prezado Gestor.
 
A Bíblia narra em Mateus 14, que, Uma pessoa inexperiente acredita em tudo que ouve. A pessoa sensata examina com a atenção a cada passo que dá. O homem sábio cuida bem de sua vida e evita o mal, mas o tolo confia em suas próprias forças e acaba se dando mal.
Esforçaremos para acreditar que a fase de inexperiência de sua gestão já ficou para trás, prefeito. A parte final da meditação em que nos diz que o tolo confia nas próprias forças e a consequência disto é fim triste e pode causar mais dor aos outros, depende do Senhor evitar. Que tenha, Vossa Excelência, conselheiros que o auxiliem numa condução austera da gestão municipal. O que por hora no nosso compreender tem sido desastrosa e afrontadora do direito do trabalhador e dos usuários do sistema de saúde pública.
Comenta-se aos quatro cantos de Itaberaba, e ao que parecem, comentários verdadeiros, que sua excelência, entendeu de, subitamente, sem avisar os seus escolhedores que lhe reconduziram para a cadeira de prefeito, demonstrando não ser o gestor pessoa bondosa e generosa como dizias nas casas em que degustava café torrado no período da campanha da eleição. Inclusive que o senso de justiça que delineavas seu perfil era apenas para uma visibilidade fabricada para impressionar o eleitor quando disputava a recondução. Sinalizando que não mais tem valor algum os 23 mil votos superiores à oposição. Votação, teoricamente, esmagadora. Em regra sua diligência e operosidade foi mais propaganda do que eficácia. Na prática quem deveria ganhar eleição seria o povo, pois, é este quem vota e permite que o melhor vendedor comercialize seu produto. Neste caso, o produto é o Senhor. O senhor teve habilidade de vender-se, mas, não o tem de operar com sabedoria e eficiência o aparelho público. Sentimos muito em dizê-lo, porém, que o povo não ganhou nada. A vitória parece somente sua e do jeito que demonstra é indivisível. Pois despreza a participação popular, assim como, aqueles que sofrem, reiteradamente, clamando e gritando socorro pelas ondas do rádio e pelas ruas da cidade. Os usuários de drogas e os pedintes na praça e na porta dos supermercados confirmam isto.
Isto mesmo, nobre executivo, contra fatos não há argumentos. A coisa é mesmo incontestável.
Pois bem, nobre prefeito. Imagine o Senhor ser destituído do cargo por iniciativa popular, digamos que por simplesmente o povo não gostar mais da sua administração. Uma constatação que ruma para fato inconteste. Simples assim como o Senhor mesmo ensina. Que se deve fazer o mesmo como a sua caneta de tinta de sangue. A decisão intempestiva causou aos demitidos e demissionários, ainda que não saiba, Vossa Excelência, medo e crise.
Por falar em crise, digam-se doenças orgânicas e da alma, curiosamente, através da própria saúde em que sua excelência gere, é que tens ocasionado enfermidade nos demitidos e em suas famílias? Sem falar-se na comunidade que sem que fosse consultada ou comunicada, previamente, vive temerosa e assustada com as demissões que efetuas sem dó e nem piedade. Sem pensar no outro. O que fazer com a gestante que carrega um filho na barriga e dois de mãos dadas em direção ao posto vizinho de suas casas, prefeito? Primeiro a paciente é surpreendida pela demissão peremptória do médico e do enfermeiro em que se sentia a paciente confortada e aliviada pela simples presença da profissional de saúde. De certo modo já transformada em família dos pacientes. Usuários das unidades Concic, Bairro Vermelho e Jardim das Palmeiras não foram considerados como na campanha. Surpreende a usuária do serviço de que lhe é de direito, o fechamento desavisado dos psf’s em que intencionava amparar-se com outro profissional e não mais encontra instalação quando iria utilizá-lo em regime de urgência. Mudou-se do leste para o oeste ainda que provisoriamente. De uma hora para a outra sua excelência decide mandar pessoas da pasta chave e da qual a população mais carece para a rua da amargura do desemprego. Poderia ao menos até ter disponibilizado serviço de transporte para conduzir estes pacientes usuários da saúde. A saúde destacada dentre as 100 melhores brasileiras como tão mal se arrependeu de ter dito o jovem secretário tampão da saúde. Isto mesmo, o secretário jovem que se pôs de vela na mão tenta alumiar a escuridão em que o seu governo está instaurado. As críticas, prefeito, não se devem alcançar como alvos os secretários. Colaboradores entregues a própria sorte sem nenhuma estrutura e apoio logístico financeiro. Secretário não maneja verba desacompanhada da assinatura do chefe, em se tratando de finanças.
E por falar em finanças, Zé Francisco lhe deve fazer muita falta, mas, ainda assim Vossa Excelência não é humilde de convocá-lo ou convidá-lo para prestar seu reconhecido serviço. Certamente, que em nome do povo ele o atenderia. O ato de concentrar poder é pertencente dos tiranos e dos governos ditatoriais. Seria sua excelência adepto desta modalidade?
Fala-se nas cifras milionárias de 12, 13, 14, 15 milhões que entrou e que recebeu a saúde neste ano de 2012. Que isto e que aquilo. Muito pouco interessa estas informações. O que interessa de fato é como se gastou e para onde destinou estas cifras. Diga-se de passagem, prefeito, além de não comprar sequer um gerador para a cobertura de eventuais falta de energia, ainda demite parte do funcionalismo da saúde, desamparando-os em época de natal. Assim nem papai Noel mais crer em ti, ilustre amigo. Descartar os colaboradores imediatamente após lograr êxito nas urnas é “trairagem” e coisa feia. Terrivelmente afrontosa.
Insistindo no caráter de administrador centralizador, entendemos como demasiadamente pernicioso e nocivo para a sociedade, o seu controle, nos conselhos de saúde, tutelar entre outros. Cadê a autonomia dos conselheiros de saúde sob a presidência do pastor Jeremias. Do jeito que está deve os conselhos junto com o governo de Vossa excelência ser destituídos de pronto. De quem deve o cidadão cobrar eficiência? Parece que estamos num mato sem cachorro combatendo sem força grandes feras. Mas, não, as pessoas não se darão por vencidas.
Elas sentem-se fortes quando os usuários de hemodiálise são humilhados e violentados em seu direito fundamental da dignidade humana. De modo a fortalecer-se para que venham a empreender luta apesar de desigual, objetivando por termo, por fim aos desmandos perpetrados por quem, paradoxalmente, deveria esboçar defesa e luta em favor do povo.
Pena que o espaço é diminuto. Senão ficaríamos aqui a escrever mais linhas nesta carta aberta para que, enfim, tenha Vossa Excelência sensibilidades política e humana, no mesmo lance de tempo.
Feliz Natal para o Senhor e sua família. Evidentemente, que empregado e com recursos de sobra o Senhor está. Pouco se lembrará de quem assumiu compromissos para pagar com o trabalho que tomaste do cidadão. E pelo visto parece que não os devolverá aos demitidos. A propósito, o senhor pregou a todo tempo nunca ter atrasado o salário do servidor. O Senhor já pagou todo mundo? A lei diz que tens até o 5º dia útil.
Sinceramente.
 
Itaberaba, 07/12/2012.
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário:

Postar um comentário