A GREVE DOS PROFESSORES E SUAS DEMANDAS...
Por Augusto Azeredo
(Texto de Ronaldo Oliveira Ferraz)
O que o governo teme são as duas leis - a lei 12.364/11, que congela o
salário dos professores até 2014, e a lei 12.578/12, sobre a questão dos
subsídios. Sobretudo, a primeira, por que, afinal, já sinalizou que tem
dinherio para pagar o aumento. Quem paga 14% num intervalo de meses
pode pagar 15,7 % ainda esse ano (se
somarmos os 6,5 % de antes teremos os 22,22%).O ano que vem seria uma
grande e boa briga para a categoria lutar pela concretização do piso de
2013. Mas se a lei 12.364 não for revogada não teremos o respaldo para
comprar uma nova briga. Nem acho que a categoria esteja disposta
novamente a comprar uma outra contenda.
Estaremos ainda a curar
cicatrizes. A greve tem que gerar uma discussão sobre o proceso de
mobilização dos professores na Bahia.Vejo o fracasso do modelo de
sindicato único.As cidades que se mobilizaram, reagiram num processo de
organização da base. Com suas instâncias de discussão/deliberação.
Percebe-se a ausência de uma Aplb completamente desacreditada. Veja-se a
experiência de Vitória da Conquista. O Lute sindicato parece aglutinar
um grupo de professores interessados em discutir educação. (algo que a
muito tempo não se faz na Bahia). Assim se espera. Falamos em um Fórum
de discussão, deliberado em assembléia, com representação por escola.
Experiência que, se vingar, será de grande riqueza. O que esperamos é
que os professores também se empolguem em discutir para além das
questões salariais. Nossas demandas são muitas: jornada de trabalho,
quantidade de horas/aula, liçencas prêmios, pedagógos nas escolas, salas
de informática que realmente funcionem, escolas que sejam mais autômas
no fazer pedagógico, formação séria para o professor, e não esses cursos
a distância para cumprir carga horária, esporte na escola, que os
professores sejam mais reflexivos em suas presenças nas escolas (não
apenas esse ser frequentador de sala de aula e reprodutor de conteúdos
vazios.
As nossas universidades estaduais calam-se no debate. Ou
será que educação já não é discutido nas universidade a muito tempo?
Ainda assimilamos muito de seus vícios. O nosso fazer em educação é um
reflexo direto de nossa formação acadêmica.
Enfim, nessa história
toda, entre mortos e feridos, acabaremos (enquanto categoria) aceitando
uma negociação de reajuste, mas abrindo mão da lei pelo desconhecimento
de todo esse processo. Nesse sentido, seria até interesante aceitar 14% ,
mas não abrir mão da lei 12.364/11. O governo parece ter força sobre
sua base aliada, e os deputados são uns serviçais, para revogar a lei .
Afinal, não foi o que o professor Zé Raimundo falou ao dizer que votou
contra os professores porque seguiu sua base política. Ou seja, faço o
que mandar.
Essa é a questão: a lei dos subsídios que prejudica o andamento d luta pela valorização da carreira do magistério. A questão fundamental a meu ver não são os 22% do piso atual, mas sim a possibilidade de continuar lutando para que o piso seja efetivado nacionalmente como lei, porque no momento é de direito, mas não de fato e isso só acontecerá com a luta dos servidores da educação.
ResponderExcluirExcelente reflexão.